—Não, não, de modo nenhum; deve até ficar—respondeu o sacerdote, acrescentando:—Vejamos, sabe já o sucedido, sr. Julião?
—Não—respondeu Julião—eu tratava de o consolar, exortando-o a que pozesse a sua confiança em Deus, infinitamente bom.
Todos tomaram assento, e o P.ᵉ Francisco disse:
—Sim, é certo que Deus é bom, porém quer que da nossa parte façamos alguma coisa.
—E que devemos fazer nós?—perguntou Julião.
—Oh!—exclamou o sacerdote—a penitencia! Esse precioso dom que nos concedeu a misericordia dum Deus Salvador! Dom que, acompanhado da poderosa intercessão da Bemdita Virgem e de toda a côrte celestial de anjos, querubins e santos, nos abre infalivelmente as portas do céu, já se vê, uma vez que haja a absolvição do sacerdote, apoz a confissão! Sim, meu amigo, se receia alguma coisa por sua filha, deve, revestindo-se de valor, dizer-lhe... que se confesse.
João ia a falar, quando o P.ᵉ Francisco o interrompeu, dizendo:
—Já sei o que me vae dizer. Dirá o que todos dizem, isto é, que a confissão feita por um enfermo no leito da morte é um golpe terrivel para ele. Mas porquê? Quando o sacerdote, vestido com os seus habitos talares, e com a autoridade que Deus e a santa egreja lhe dão, se aproxima da cabeceira do doente para o advertir de que se acha ás portas da eternidade, e de que o espera talvez a condenação eterna, a sua presença e palavras actuam de tal maneira no espirito do doente que lhe dão novas forças; e, no momento de se confessar para poder receber a Jesus sacramentado, opera-se nele uma tal mudança que se pode atribuir á certeza, que é dada ao enfermo, da absolvição dos seus pecados dada aqui na terra pelo sacerdote romano e ratificada no céu. Então pode o moribundo entregar-se com inteira confiança á protecção da mãe dos pecadores, e morrer em estado de graça e em perfeita e completa paz.
—Eu pergunto uma coisa—disse Julião.—O sacerdote não diz nada de Jesus aos enfermos?