Dôres calou-se e sentou-se, orando em silencio por sua amiga. Passados alguns momentos, saiu para a sala, e, dirigindo-se ás mulheres que ali estavam, disse-lhes:

—Onde estão os paes de Antonia?

—Não sabemos—respondeu uma, muito secamente.

Dôres, apezar de notar que a sua pergunta não tinha sido bem recebida, continuou:

—Parece-me que as senhoras deviam apagar algumas luzes do altar. Antonia queixa-se do calor e do cheiro da cera.

—Bem sabemos—respondeu a tia de Antonia—aquilo que temos de fazer. E a proposito; a senhora far-nos-hia um grande favor não tornando aqui até que Antonia esteja livre de perigo. O confessor prohibiu que fale com certa classe de gente... e...

—Sim—interrompeu Dôres—e entre essa classe de gente estão Julião, sua mãe e sua mulher, não é verdade? Pois bem, retiro-me, porém graças a Deus que em minha casa orarei pela minha amiga, e sei que Deus me ouvirá.

—Já lhe dissemos que pode retirar-se—exclamaram todas.

—Sim, retiro-me—disse Dôres com as lagrimas nos olhos—retiro-me, e que Deus vos perdôe o mal que me fazeis.

As mulheres continuaram por alguns momentos falando, e Dôres saiu, chorando, em direcção de sua casa. Ao verem-na entrar assim, sufocada pelas lagrimas, Julião e Josefa levantaram-se apressados, interrogando-a: