—E porque não dizêl-o a tua mãe? Não julgas que seria melhor?

—Não, Dôres; infelizmente, minha pobre mãe, imbuida pelos conselhos de algumas pessoas, está muito reservada para comigo; o outro dia vi-a ajoelhar-se deante de Santo Antonio, e ouvi-lhe pedir a minha morte, chorando copiosamente.

—A tua morte!

—Sim. Minha mãe julga que eu estou condenada, e, segundo pude compreender, essa crença dimana daquilo que algum padre lhe tem dito, pois que ela dizia ao Santo entre outras coisas: «Santo Antonio, peço-te que faças entrar no bom caminho a minha filha; prometo que mandarei dizer uma missa todos os primeiros sabados de cada mez, e isto emquanto eu viva, se fizeres com que minha filha volte ao seio da Egreja Catolica Romana. Porém se isto não pode ser, dá-lhe um momento de arrependimento, e depois manda sobre ela um raio da tua divina graça e leva-a para ti.»

As duas amigas guardaram silencio, profundamente impressionadas ao considerarem a oração dirigida por Brigida ao Santo. Depois de alguns momentos, Antonia disse:

—Agora chama meu pae, para lhe falarmos dos brincos.

Dôres ia chamar João, quando este apareceu no limiar da porta.

O carpinteiro tinha mudado completamente. Desde que sua filha se poz boa, recobrou o seu genio alegre; e, relativamente ás suas idéas, devemos dizer que tambem haviam experimentado alguma mudança, como já tivemos ocasião de ver.

—Passava—disse ele, sorrindo-se—da sala para a oficina, vi-as juntinhas e disse: Vamos ver de que se ocupam as duas amigas.