—O que se passou?—perguntou Antonia a seu pae, deixando o livro que estava lendo.
O carpinteiro contou a sua filha tudo o que tinha sucedido, e ao terminar disse:
—Se tua mãe não tomar emenda com isto, digo-te que não tem juizo. Com relação ao padre, vamos chamal-o á presença da autoridade.
—Meu pae—disse Antonia,—grande é o poder de Deus, e, como Ele disse, a mentira não pode permanecer. A respeito de fazer mal ao padre Francisco, creio que Julião não permitirá isso, pois Jesus perdoou na cruz e orou mesmo pelos Seus proprios algozes, e Ele mesmo disse: «Abençoae aqueles que vos amaldiçoam; e orae por aqueles que vos caluniam.
Dito isto, saiu mestre João.
Brigida permaneceu calada, e Antonia deu razão ao que seu pae acabára de dizer, exprimindo-se assim:
—Sim, minha mãe não seja insensata, procurando a salvação por um outro caminho, que certamente a conduzirá á perdição. Como pôde escutar, sem se exaltar, a voz que lhe disse: «Sua filha é uma ladra»?
—Ai! minha filha! Eu nunca cri nisso, porém já vês que me faltava o dinheiro, faltavam-me os brincos, e já podes calcular que desconfiava de que alguem nos tivesse roubado. Porém tu me perdoarás, não é verdade?
—Como!—exclamou Antonia—eu perdoar-lhe! Demos graças a Deus e peçamos-Lhe que, do que acaba de suceder, resulte um grande beneficio para a sua alma.