—Claro. Quem se casa em França residindo em Hespanha?
—Pois então já sabe; quando o conde lhe perguntar{82} pela resposta definitiva, diga que sim e é assumpto concluido.
—Mas olha, Amparo, agora que já se póde dizer que és a promettida esposa do conde de Loreto, vou contar-te uma cousa. Em Florença, suppuz que tu e Ernesto se amavam; mas assim é melhor; enganei-me, com o que muito folgo, porque, minha filha, n'estes tempos é mais acceitavel para marido um conde rico, do que um artista pobre. Ernesto pinta muito bem, mas não tem uma peseta.
Amparo ao recordar-se de Ernesto commoveu-se; mas a commoção foi passageira, como a ave que cruza sobre a nossa cabeça para não mais voltar.
Dois dias depois, um compartimento de primeira classe conduzia a Hespanha com a velocidade da locomotiva os nossos conhecidos. Era o dia 28 de junho.
[CAPITULO XIII]
Os tres amigos
Dois mezes depois dos ultimos acontecimentos que acabamos de narrar, isto é, no dia 1 de setembro ás seis horas da manhã, dois rapazes passeavam na gare da estação do sul, esperando o comboio correio de Alicante.
—Garanto-te, dizia um d'elles, que Ernesto traz um grande quadro.
—E eu concedo-lhe o primeiro premio, ainda antes de o vêr.