—Aborreciamo-nos, disse Amparo, Roma é uma cidade morta; nem sequer tem theatros.
—Diz muito bem. Roma é um cadaver que todos os annos ressuscita pelo Carnaval, e vive um mez{19} commettendo as mais excentricas loucuras; depois torna a cahir na soledade da tumba, até ao anno seguinte.
—Quer dizer que errámos a epocha da nossa viagem, disse D. Ventura.
—Justamente. Mas se a sr.ª D. Amparo quizer ir ao theatro, temos actualmente um aberto.
—Qual?
—O do Tiano.
—Dizem que não é bonito.
—Sim, mas em compensação representam admiravelmente.
—Sabe, senhor Ernesto, que esta noite tive uma ideia? disse Amparo, cerrando docemente as palpebras para conservar a luz dos seus formosos olhos fixos no pintor.
—Estou crente, de que foi uma ideia sublime.