E extendendo o braço, apresentou o estojo a Amparo, dizendo-lhe:

—Senhora D. Amparo, como sei que pedia a Deus para que me concedesse a victoria, como sei o interesse que tomou, ouso pedir-lhe que acceite como uma recordação d'este dia o premio que me acaba de offerecer a imperatriz dos francezes.{65}

Amparo pegou com mão trémula no estojo, e antes de ter tempo para responder uma só palavra de agradecimento por aquella amabilidade, o conde partiu a galope em direcção a Paris.

D. Ventura estava louco de alegria.

Amparo commovida, pallida, seguiu o conde com a vista.

—É um cavalheiro, disse o commerciante.

—Sim, papá; não se póde ser mais delicado.

—Mas, vamos vêr isso que tens na mão. Parece que não estás em ti.

E D. Ventura, notando que a filha corava, sorriu-se maliciosamente.

Amparo abriu o estojo: tinha um broche de brilhantes. Não se podia exigir mais gosto n'uma joia d'aquella natureza.