—Senhor, o interesse que tomo pela casa faz com que muitas vezes tenha certas liberdades...

—Vamos, Francisco, não comeces a attribuir a ti faltas que não commetteste. Quando o meu pae morreu disse-me: «Nunca deixes Francisco; viu-te nascer, estima-te com idolatria e é honrado e leal.»{66} Desde então ainda não tive de que pense que não é tão grande como devia ser, em relação ao que gasto; mas que queres... quando estiver arruinado, quando me vir como vulgarmente se diz com a corda na garganta, então seguirei o teu conselho e casarei. E a proposito: Que tal te parece a filha do nosso companheiro de viagem?

—É extremamente formosa!

—E nada mais? perguntou o conde, sorrindo-se.

—E que tem doze milhões de dote.

—O que te traz preoccupado. Emfim, até lá veremos. Quem sabe se terás razão, aconselhando-me a que case! Mas, dá-me algum dinheiro; vou cear com alguns amigos á Maison Dorée e talvez se jogue.

—Hontem dei ao senhor conde tres mil francos.

—Sim, e hoje não tenho nem um centimo,

Francisco exhalou um suspiro, abriu a gaveta e deu tres notas de mil francos ao amo, dizendo:

—O tal inglez não pagará esta noite?