—Sim, é a quinta. Quem sabe se será a ultima? Não é vontade minha; quando menos se pensa, um insolente ou um enfatuado atravessa-se-nos no caminho, insulta-nos, e a honra exige que nos batamos. Cinco vezes me tem succedido isso. Prepara, pois, os meus floretes, e deita-te. Ah! Esquecia-me. Ámanhã cedo, mandarás por um creado Rabeca a lord Rutheney; vendi-lh'a; e, verdade verdade, que isso me desgosta mais do que o duello.

Francisco fez um gesto como se fosse para falar.

—Não te inquietes, não te inquietes com reflexões inuteis; o duello é inevitavel. Quero dormir para estar fresco. Bôa noite. Acorda-me ás cinco e tres quartos.

E o conde principiou a deitar-se.

Francisco sahiu triste e preoccupado.

Alguns minutos depois o conde de Loreto dormia profundamente.

O honrado mordomo não se deitou: ser-lhe-ia impossivel dormir, e preferiu estar levantado.{70}

Ás cinco horas e meia entrou no quarto do amo.

O velho esteve-o contemplando por alguns momentos. Notava-se-lhe na triste expressão do rosto o estado do seu espirito. Receava pela vida do amo.

Por fim disse em voz alta: