Apoz estas contendas, separavamo-nos tristes, e, passados oito dias, esperava-a furioso, exasperado pela raiva, com a boca cheia de sarcasmos, decidido a romper brutalmente com ella. Mas só de vêl-a, toda a minha cholera se exhalava como fumo, ajoelhava-me aos pés d'ella, e comprimia-a convulsivamente ao meu coração.

O que muito me espantava e irritava acremente{53} era a docilidade com que ella, sem murmurar, a tudo se submettia. A ausencia, os obstaculos, as difficuldades, não podiam nada com ella. Vêr-me, não me vêr, era tudo o mesmo. Sempre serena aquella phisionomia. Dava-se ares de victima, e não dizia palavra.

«E se eu me matasse?» exclamei eu, um dia.

Fanny encolheu os hombros.

«E se algum incidente imprevisto nos separasse?»

—Que queres que eu te faça!...—disse ella, e em seguida entrou a chorar.

Não podendo viver com ella, eu queria ao menos governar-lhe a vida, de modo que as suas menores inspirações lh'as désse eu. De sobra comprehendia ella a minha intenção, e mostrava-se; mas não me cedia nunca em pontos de delicadeza que ella converteu em pontos de honra. E dizia-me:

«Eu sou obrigada a soffrer a posição que me deu a sorte. Devassar-lhe os segredos, de que monta? Affliges-te se fallo, affliges-te se me callo... Tracta de esquecer as causas dessa tristeza, meu Roger.

Eu de mim esqueço-as sempre que venho aqui.

Outras vezes dizia meio risonha e meio motejadora: