—Casarei, com ela, ou deixarei de ser quem sou!
Enfim, a sua cólera fazia explosão. André estava farto de sofrer; e, sorrindo em ar de desafio, valeu-se da escuridão da sala para beijar Rosa, unindo-a docemente ao coração.
Mas, se a voz do senhor Germinal era fraca, em compensação tinha olhos de lince.{157}
—Ah! Vocês querem brincar comigo?... Rosa! o teu xaile... o teu chapéu... Partamos imediatamente!
—Ainda não! exclamou, da porta, uma voz de baixo-profundo.
E logo a sala se iluminou de súbita e viva claridade.
No limiar, entre dois lacaios agaloados, empunhando cada um deles uma serpentina, carregada de velas cor de rosa, apareceu um personagem baixo, de espessa e forte construção, enluvado de fresco, engravatado de branco, vestido de preto, e rescendendo a aromas, que perfumavam o recinto a dez passos de distância. Avançou majestosamente, com os polegares suspensos nas algibeiras do seu faustoso colete, e fazendo ouvir no sobrado o ranger de umas botas novas.
O senhor Germinal e André suspenderam os seus clamores, e inclinaram-se confusos.
—Então!... exclamou o magnífico intruso; há bulhas aqui? Com mil amarras!...
—Pedro Toucard!... exclamaram os assistentes. Era Pedro, sem dúvida... Pedro, o aventureiro! Mas, que transformação!...