—Como eu a teria amado! suspirou a jovem.
André pegou-lhe nas mãos, atraindo-a brandamente para si.{42}
—Minha mãe morreu! repetiu ele, e pensei por muito tempo que nada preencheria o horrível vácuo, que em mim causou a sua falta. Porém, Rosa, acredita-lo-á?... A par dessa indelével saudade insinuou-se, pouco a pouco, uma ternura não menos forte, ainda que de outra natureza. Ao princípio, era apenas um gérmen, um grão dourado que o acaso lançara no meu caminho, mas... o gérmen cresceu, o grão desenvolveu-se em planta, e a planta em frondosa floresta, cheia de canções, de murmúrios e de perfumes!...
André sentiu tremer, entre as suas, as mãos de Rosa. Contudo... ela sorria através das lágrimas.
—E, se as almas pudessem falar, sabe Rosa o que lhe diria a alma de minha mãe? Dir-lhe-ia: «Rosinha, também te amo muito... a ti, que me terias amado! Amo-te, porque és boa, inocente e piedosa; porque o teu espírito encantador tem mil delicadezas; porque me substituíste nos sonhos de meu filho; porque és a luz dos seus olhos, a flor da sua esperança, o enlevo da sua vida! Ama-o, Rosinha... peço-to eu! ama meu filho, que te ama tanto!»
Rosa volveu para o pintor o seu olhar, radiante e cândido.
—Mas, disse ela com simplicidade, eu amo-o!... Pois não o sabia, André?
Sauvain empalideceu, e estreitou nos braços a{43} donzela, cujas faces se encenderam em pudico rubor.
Neste momento ouviu-se aquele, já mui conhecido, som de raspador, e à porta do jardim apareceu o senhor Germinal, mais frio, mais compassado, mais ferrugento do que nunca.
—Muito bem! disse ele em tom levemente irónico, então quando é o casamento?{44}