E Pedro Toucard designava o tecto, que aranhas centenárias haviam ornado com bambinelas de seu lavor.

—Dar-se-á acaso que o senhor tenha a veleidade de doirar os meus? perguntou André, rindo.{62}

—Presentemente não, respondeu o provençal, contemplando melancolicamente as suas velhas botas esburacadas. Falta-me o metal necessário... Agora estou muito em baixo!... Mas tenho diante de mim o futuro; ainda hei de trepar, creia! É a minha sina! E, quem sabe?... talvez que eu algum dia lhe compre quadros.

André contemplou com admiração aquele sexagenário, falando do futuro, na idade em que geralmente só se pensa no repouso.

—Nada o faz desanimar! disse o pintor.

—E tenho boas razões para isso. Repito a pergunta: Quer que o inicie na minha historia?

—Venha ela!

O velho exumou da algibeira um cachimbo, curto e enegrecido, e logo em seguida um cartucho de papel, contendo um resto de tabaco.

—Pode a gente fumar em sua casa?

—De certo!