—Nada disse por ora, respondeu André, mas peço-lhe que me explique...
—A explicação será curta, meu rapaz. Encontrei nas minhas viagens um marinheiro chamado Sauvain... seu pai, ao que parece... Soube depois que morrera num naufrágio: eis o motivo por que o seu nome me abalou. Demais... sou propenso à apoplexia... a menor comoção faz-me subir o sangue à cabeça! Mas não façam caso... já passou.
O provençal falava com dificuldade, procurando as palavras e pensando noutra coisa. As suas feições expressivas revelavam a maior irresolução.
Apesar do banho que se aplicara, corria-lhe o suor da fronte.{99}
André Sauvain não se contentou com tão sucinto esclarecimento.
—Mancebo, lhe disse Pedro Toucard, venha comigo a três passos daqui, quero dar-lhe duas palavras.
O pintor seguiu-o, assaz intrigado.
—Escute-me, meu caro: entrei na posse de fundos com que não contava. O senhor vai pôr casa... Se duas ou três notas de mil francos... ou mesmo quatro... Sim, se quatro, ou cinco mil francos, lhe podem ser úteis nesta ocasião, não faça cerimonia... Hei-los!
E Pedro folheava com mão trémula o maço das notas.
André corou muito, e endireitou-se quanto a sua estatura lho permitia.