André tornou-se pálido, mas fingiu não ter ouvido aquele condicional.

—Agora, senhor, disse ele sorrindo, conversê-mos um pouco sobre coisas mais importantes; voltemos ao que esta manhã se combinou...{103}

—Que foi o que se combinou? disse o viúvo, corando.

—Que hoje mesmo se fixaria a época do meu casamento com Rosa.

O senhor Germinal levantou-se bruscamente.

—Não me entendeu, pelo que vejo?

—Peço perdão: entendi perfeitamente que lhe confiaram um depósito, e que o restituiu. Mas, que tem de comum uma acção tão simples com o facto, muito mais importante, de que dependerá o nosso futuro?

—Não há surdos piores do que os que não querem ouvir! replicou asperamente o senhor Germinal. Aquela soma garantia-me a felicidade material de minha filha...

—Não, senhor, porque bem sabia que, de um momento para o outro, a podiam reclamar. Para quando prefixa a bênção nupcial?

—Para as calendas gregas! gritou o senhor Germinal, exasperado por aquela obstinação sistemática. Como ousa o senhor pretender associar à sua a sorte de Rosa? Onde estão os seus meios de subsistência? Há-de ela viver neste cacifo? Virão os filhos, e com eles as dificuldades, os expedientes, as dívidas, os cuidados, a doença... a morte!