Então... aquele viajante, vitima da catástrofe de 8 de Maio, era seu pai!
Então... os noventa e dois mil francos, depositados pelo moribundo nas mãos de um estranho, pertenciam-lhe!
Então... o senhor Germinal, que durante doze anos procurara, e receara encontrar, o herdeiro de Onésimo, morou defronte dele todo esse tempo!
Então... desposando Rosa, e aceitando o dote que o velho lhe oferecera, era André quem enriquecia a mulher que amava!
Então... Pedro Toucard, levado ali por essa série de singulares coincidências, abusou do seu falso parentesco com Onésimo para apossar-se de uma soma, a qual todavia tentara em tempos fazer reverter para os seus legítimos donos!
André compreendia agora a extraordinária comoção do provençal ao ouvir o nome de Sauvain. A consciência do aventureiro era elástica, mas ainda não estava gangrenada; apesar dos seus escrúpulos,{129} não pudera vencer o seu frenesim de especulação, nem deixar fugir a ocasião de traficar mais uma vez.
Entretanto tinha, sem o saber, despedaçado a felicidade futura de Rosa e de André!
«Pela memoria de minha mãe! exclamou o pintor, juro que lhe farei restituir o dinheiro!»
E logo um clarão de alegria lhe iluminou e reanimou o espírito. Reflectiu em que, uma vez na posse daquela soma, disporia de meios enérgicos para descobrir o senhor Germinal, e que o velho teimoso não teria então mais nenhum obstáculo, que opor ao seu casamento com Rosa.
Passou grande parte da noite a passear pela casa, como um louco. Depois, prostrado de fadiga, deitou-se, adormeceu com a cabeça escandecida, e teve um pesadelo.