—Uma carta para o senhor Sauvain: disse nesse momento uma voz, de fora.

—Uma carta?... repetiu André, uma carta dela!... Era tempo!

Atirou a arma para o fundo de uma gaveta, abriu{144} a porta, pegou na carta, e levou-a com gesto de avaro para um canto da janela.

Não era de Rosa!

A missiva dimanava prosaicamente do arquitecto de Granville, reclamando algum dinheiro, à conta, pelas reparações da casa.

André ficou aterrado.

Apagara-se-lhe da memoria aquela dívida sagrada. Recordava-se dela agora, mas não tinha dinheiro, e só o trabalho podia dar-lho.

Portanto... nem sequer tinha a liberdade de morrer!

O pintor apelou, com desespero, para a sua antiga energia.

—Vamos!... pensou ele, mais uns dias de coragem e de tortura!... Ganhemos, com o suor do rosto, o direito ao eterno repouso!