—Pois mestre Jacintho, muito obrigado pelo que por mim fez. E não o incommodarei mais por esta causa, que agora já não é como no seu tempo, que só pela altura dos trinta annos é que se julgava uma senhora em edade casar. Agora vae tudo muito mais depressa. Se até ha barcos que andam a fogo!
Queixou-se amargamente o veterano:
—Foi sempre assim. A mocidade não quer saber da velhice para cousa nenhuma.
—Não diga isso. Sabe como o estimo. Só me refiro a estas coisas de amôr, de que mostra não perceber nada, pois quer que um namorado se cale, depois de acontecimentos como os de hontem.
N'uma saudade do passado, da juventude, do amôr, do prazer, remoçou-lhe o rosto engelhado:
—Isso é que percebo! Lá por me vêr agora um velhão, olhe que já passei pela sua edade, e até fui de mama! É o que lhe digo, não se me ponha a rir nas minhas barbas. No seu tempo, porém, ainda me entretinha a deitar o pião, não sabia o que fosse o bicho mulher. Mais tarde, sim; fui desempenado, bonitóte, e antes de me darem as bexigas, pellavam-se bôas moças por mim. Já vê que percebo, e tive bom mestre, olé se tive.
Aproximou-se muito o veterano, e num ar de confidencia, um sorriso bonacheirão, disse-lhe baixinho:
—Lições de seu avô, que foi das pontas! Elle atirava-se ás patrôas, e eu ás creadas. Uma vez...
Mas arrependeu-se.
—Nada. Nada. Suas tias podem desconfiar de que estou para aqui a perdel-o...