—Fidalga como as melhores, bonita sem senão, os olhos de todos n'aquelle palminho de cara, e o morgado crente de que nenhum a valia, a ponto de a querer levar a um primo do reino.
—Fosse ella uma pobre de Christo, queria-lhe da mesma maneira, acredite-me.
—Pois sim, pois sim; mas ella é o que eu disse, isso é que é a verdade. Se fôsse uma pobre sem eira, nem beira, nem ramo de figueira, não lhe açulavam os cães. Tratavam logo de o encambulhar com ella ... Agora sendo o que é, não espere conseguir d'ali nada ao bem. Ha de ser á má cara, e é se fôr.
—Estou resolvido a tudo.
—Não digo menos d'isso. Quem sae aos seus não degenera.
—Maria ha de ser minha mulher, ao bem ou ao mal!
—Que a coisa começa torta, bem vejo eu. O menino já tem chorado lagrima gorda por causa d'ella. Mas não deve desanimar. A farda sempre deu sorte em coisas de mulheres. Lá por ella ser morgada, não é mais do que a imperatriz da Russia, que dava o cavaquinho pelo general Gomes Freire, com quem andámos no Russilhão. Pois eu não conheci um corneta, um rapagão como um turco, o menino bonito da rainha nossa senhora que se perdia a ouvir-lhe repetir os toques? E não vieram todos desvanecidos os soldados do dezaseis de infantaria de um destacamento em Queluz quando a Senhora D. Carlota Joaquina estava presa? Até um granadeiro, alto como uma torre, valha a verdade, trazia duas cartas de pessôa de dentro!
E reparando na surpreza de João:
—O menino ficou vermelho como uma malagueta. Mas olhe que é tudo verdade. Pergunte lá no castello, que lh'o hão de trocar em miudos.
Concentrou-se João, e depois perguntou: