Elle riu n'uma explosão juvenil.

—Pedreiros livres? Julga-me talvez? Tem graça!

A tia confirmou:

—A senhora Joaquinina do Ó vê-te sempre no falatorio da botica, e toda a gente sabe que é ali o coio dos que beijam o diabo á meia noite.

—Admiro-me que uma mulher de tanta virtude, que anda sempre com o cordão de São Francisco á cinta, não diga que tambem lá vê, a jogarem o gamão, os meus mestres, o senhor conego Penedo, o senhor padre Jeronymo Emiliano d'Andrade e o senhor conego Ferraz, governador do bispado.

—Esses são pedreirões dos grandes!

—Pois tia, antes me quero com elles do que com fr. Angelico da Immaculada e as suas confessadas, como a senhora Joaquinina do Ó.

Comera os figos lampos do quintal, as postas de moreia frita a que escolhia a pelle torriscada, o affonso de lapas em que o marisco guisado e o longo musgo das conchas conservavam o acre sabôr do mar; e tomára, já levantado, o café com leite, esse delicioso café vindo directamente do Brasil, em paga das saias bordadas em que se entretinham as tias.

De olhos no tecto e mãos postas, repetiam tres vezes as velhas, junto da meza «Bemdito seja Deus, que me deu de comer sem eu lh'o merecer», notando desgostosas que João se esquivava ultimamente á acção de graças, o que para Pulcheria era um signal certo de pacto com o Demonio.

Despediu-se, saiu, passou ás Monicas lançando um olhar irritado ao convento, cujas grades a liberdade havia de arrancar, desceu a ingreme Myragaia, notou grande movimento no palacio do governo, mas, evitando comprometter-se para com o morgado, não entrou a perguntar novidades de Lisboa.