—Quem o póde duvidar? Em todo o Portugal governa sua magestade. Falta só este palmo de terra, por vergonha de todos nós! Dá-se a mão aos que vem pelo mar, e acaba-se com elles n'um instante.
—Deus o permitta, que não posso ir descançado para Lisboa deixando-os em cima. São capazes de me darem cabo de tudo.
—Haja com que comprar espingardas, polvora e bala, e nem terão tempo de dizer Jesus! Com quanto póde concorrer v. ex.a?
—Já lhe disse que ámanhã. Venha jantar, e antes de nos sentarmos á meza...
—Muito obrigado, senhor Martinho Vasques. Vou já annunciar o valioso auxilio de v. ex.a aos amigos da religião.
—Preciso-o cá, e até o tomaria para sempre como commensal, para alivio da sua pobre meza, se lh'o consentissem os seus labores.
—Que honra, senhor morgado.
—E sabe porque? Preciso da sua influencia junto de minha filha. Se podesse ganhar n'ella o ascendente que tem em minha mulher...
—Quizesse-o ella—respondeu o frade n'um suspiro—e eu seria o mais feliz dos homens!
Continuou n'um arroubo ascetico: