Tomou-lhe a mão e beijou-lh'a, sem que elle, perturbado, podesse retirar-lh'a.
Sempre de pé, declarou n'uma voz sumida:
—Conforme as suas palavras, procurarei merecer o seu perdão tratando da mãe.
Pôz o morgado os olhos no prato, e não respondeu palavra.
Muito servilmente, para captar a benevolencia d'ella, interveiu o frade:
—Volta a viver como outr'ora, foram as palavras de seu pae. Tenha a bondade de sentar-se—e offereceu-lhe uma cadeira—que eu tenho de levar até ao fim a missão de que me encarreguei.
Chamou a creada, mandou pôr-lhe talher, e voltou-se para Martinho, que continuava comendo, como se nada fosse com elle:
—O senhor morgado perdoará, porque Deus tambem perdoou!
—Com licença, pae!—disse Maria sentando-se.
E emquanto redobrava o pasmo de Martinho, ella adquiria maior firmeza, mais sangue frio.