Offereceu-lhe logo uma caneca cheia, que fr. Angelico esvasiou, limpando a bocca á manga do habito, e explodindo logo na sentença que viera preparando pelo caminho.
—Malditos tempos, senhor morgado, malditos tempos!
Martinho escorropichou gulosamente, e concordou:
—Não sei como tanta impiedade não provocou já um tremendo castigo! Deus porém compadeceu-se de nós, e as vinhas continuam, como nos dias de fé, a dar este saboroso nectar ... Outro, fr. Angelico, outro copinho...
Offereceu-lhe, na ancia de propaganda dos alcoolicos.
Saboreou o frade aos goles, defendendo-se:
—Senhor, preciso forças para falar.
Acabando de beber, tornou a bradar em tom de sermão:
—Tempo de desgraça! Tempo perverso!
Mirou-o o morgado, surprehendido por essa gravidade, só usada quando havia gente de fóra.