—E o fidalgo não se esqueceu do que lhe deve ao avô, do que me deve a mim, para vir para aqui, vermelho como uma lagosta, impar de raiva mansa?

—Se não tivesse que descer a medir-me comtigo, fazia-te engulir tudo isso com os dentes que te restam.

Tremia apertando nervosamente o bordão.

—Com bem passe, senhor Martinho—e o velho dizia-lhe adeus com a mão, sem se voltar.—Fale-me ámanhã em jejum.

—Ó bandalho, tu chamas-me bebedo?

—O patrão é que se está chamando, nanja eu.

—Olha que eu mando-te fazer uma montaria como a lobo!

—Pois vamos a isso. Coza-a commigo, que tenho o coirão duro, mas lá com o menino, cautela! Olhe que lhe sae do pêlo, senhor morgado.

—Pois atreves-te a ameaçar-me? A mim?

—Hoje em dia, meu amo, já não se póde mandar matar um homem sem se bailar n'uma forca, porque se acabaram os fidalgos e as suas patifarias.