Angra do Heroismo, 1982
+DESCRENÇA+
Trabalho. E cada dia que decorre
Vem trazer-me maior desilusão.
É mais uma esperança que me morre,
É mais um fundo golpe ao coração.
E acreditava, louco, no direito!
E cria, visionario, na honradez!
Inda abrigava puras no meu peito
Illusões que este pantano desfez!
A ganancia, a ambição, a intriga vil,
Como sapos e rãs n'um lodaçal,
Asquerosos, vão tudo macular.
Vence o ladrão, o nescio, o imbecil
Oh! Quem tivesse o rir de Juvenal,
Um raio pr'a orgia fulminar!
Lisboa, 1892
+LUAR+
Como é linda esta noite de luar!
Nos raios de fulgor phosphorecente
Vejo recordações do teu olhar!
Fico então a scismar. Mas de repente
Uma nuvem pesada, vagarosa,
Lembra-me de que estás saudosamente