+LYRA DA MOCIDADE+

Os versos na mocidade
Todos fazem, e a razão
É serem necessidade
Aos risos do coração.

O futuro côr de roza,
O mundo cheio de encantos;
A nossa alma jubilosa
Não chorou amargos prantos.

Desde o ar que se respira,
Ao ceo da côr de saphira,
Tudo ri e diz—Amar!

E contemplando a belleza,
O sorrir da natureza,
Sabemos todos cantar.

+ELLA+

O busto esculptural e primoroso,
O braço torneado, a linda mão,
O rosto avelludado e tão mimozo
Que da roza assemelha-se ao botão.

O cabello d'um negro tão lustroso,
A boquinha vermelha, ó perfeição!
O olhar d'um fulgôr tão radioso,
Que belleza e ternura d'expressão!

Ao vêl-a devaneio, fico louco,
Creio que o meu amôr todo inda é pouco
Lembrei-me, e se deixasse de a adorar?

Pode deixar d'amar-se os astros lindos,
Do ceo e terra os dons os bens infindos,
A luz doce e tão pura do luar?