Entre S. Martinho e S. Tiago vê-se na carta geodesica um crasto, a O. da estrada real; isto é no parallelo de Ovar. Será aquelle a que Pinho Leal chama Castro Troncal ou Francal (s. v. C. de Cucujães)?

No Arch. Port., VI, 68, diz-se que ha em Oliveira de Azemeis um logar de Lações, onde foi a antiga Lancobriga (sic), porque ahi se ajustam as medidas do Itinerario e não na Feira ou Bemposta. Este sitio é elevado e estrategico; a sua cota é de 287 metros e fica na fronte de um promontorio fechado por duas ribeiras e no extremo de uma chapada em cujo prolongamento se conta ainda a altitude de 274 metros. É, pelo que se vê, um castro. Lancobriga e que não.{19}

Em Macieira de Cambra ha um castro (Arch. Port., VII, 54)[[21]].

Em Romariz informa o Sr. M. Gomes que ha um Crasto, onde appareceram antiqualhas da epoca romana; o que é presumivel e prova ter recebido a influencia dos seus conquistadores.

Os antigos chorographos portugueses não teem dado valor aos cabeços elevados, onde se encontram os vestigios do que póde ter sido um castro, uma citania, emfim uma estacão archeologica pre-romana, e isso não admira; mas o facto é esse e constitue uma deficiencia na descrição dos logares, que actualmente seria imperdoavel, e que, num caso como o que estou versando, sonega lamentavelmente elementos aproveitaveis de estudo.

Junto ao mar, e bastante para o norte, em Esmoriz, encontro menção de um castro, especializado hoje pelo erudito estudo que d'elle fez documentalmente o meu erudito amigo Sr. Pedro de Azevedo (Arch. Port., III, 137). Era o castro de Aville, Ouvil, Ubile e Obil, denominações que se applicavam á lagoa que ainda existe, e que elle dominava. Crê o distincto publicista que aquelle castro é o mesmo outeiro a que o parocho depoente de 1758 chamou Monte do Murado, pertencente á freguesia de S. Martinho de Mozellos. Fico porém em duvida, pois que estando o castro prope litore maris (Docs. de 1055, 1076) bem como a lagoa (Docs. de 1057 e 1090), Mozellos parece um pouco afastado para o interior. Confessando que, sem a inspecção dos logares, a base é instavel, em todo o caso affiguram-se-me aqui dois castros distinctos.

Em S.ta Maria de Fiães apparece outro castro ou «povoação de Mouros» (Arch. Port., IV, 250).

E d'ahi para o norte, são frequentes na faixa atravessada pelo caminho romano. Será algum d'estes castros o jazigo de Langobriga?

Este inventario, tendo origem, como tem, exclusivamente bibliographica, não póde deixar de ser omisso. A averiguação local e a informação competente accrescentá-lo-hiam, se eu d'estes dois factores me tivesse soccorrido. Para o meu intento, o pouco que joeirei, era colheita bastante.

[VII]