Naxos revoltou-se (463), mas foi castigada e teve de supportar o estabelecimento de uma colonia atheniense; a ilha de Thasos perdeu os seus navios, as suas ricas minas de oiro nas costas da Thracia, e a sua independencia; Egina foi conquistada (457) depois de uma grande lucta, os seus habitantes expulsos e ella repovoada por colonos atticos; Mégara cahiu tambem na dependencia de Athenas; Carystos, na Eubéa, teve a mesma sorte.

Os Espartanos, ciosos da preponderancia dos seus rivaes, preparavam-se para guerreál-os, apezar da lucta em que andavam com Argos e outras cidades do Peloponeso, quando uma serie de calamidades os feriu. Um espantoso terramoto,{43} que abalou, a Arcadia e a Laconia, precipitou sobre Esparta um grande desmoronamento do monte Taygeto (465). A maior parte da cidade ficou em ruinas, perecendo vinte mil pessoas.

Os hilotas, crendo favoravel o momento para a sua emancipação, atacaram os sobreviventes, mas foram repellidos. Dispersando-se e fugindo, ligaram-se com os Messenios que, revoltando-se de novo, se intrincheiraram no monte Ithoma, começando uma terceira guerra de Messenia, a qual durou dez annos (464-454).

Foi só depois de finda esta guerra, que os Espartanos puderam voltar as suas attenções para Athenas. Invadiram a Héllada com um formidavel exercito, sendo o seu fim contrabalançar a influencia de Athenas com o restabelecimento da hegemonia de Thebas sobre as cidades beócias, a qual tinha sido anniquilada durante as Guerras Persicas.

Ganharam a victoria de Tanagro (456) contra os Athenienses, commandados por Pericles. Mas, dois mezes depois, Myronidas inutilizou todas as vantagens adquiridas pelos Espartanos, ganhando a batalha de Œnophyta,—batalha que tornou os Athenienses senhores da Phocida, da Locrida e da Beocia.

Chegára, assim, Athenas ao apogeu da grandeza, d'onde em breve tinha de cahir, porque a propria extensão das suas possessões lhe havia de ser fatal. Romperam dissidencias entre Athenas e Esparta, por causa da intendencia no Templo de Apollo. Os Espartanos queriam-n'a para os de Delphos, seus alliados; os Athenienses, alliados dos Phocidios, sustentavam as pretenções d'estes, os quaes as fizeram triumphar pelas armas. Um exercito espartano restituiu o templo aos primeiros; um exercito atheniense, commandado por Pericles, retomou-o para os segundos (448). Estas excursões guerreiras dos dois povos dominantes, atravez da Beocia, accenderam os odios dos partidos; e os exilados beocios da facção aristocratica puzéram-se em campo, chegando a apossar-se de várias cidades. Tolmidas, general atheniense, atacou-os com pequenas forças, e foi completamente desbaratado na batalha de Choronea (447). A Beocia cahiu, de novo, sob o poder de Thebas; Mégara e a Eubéa revoltaram-se, e um exercito espartano, atravessando o isthmo, chegou ameaçador ás fronteiras da Attica. Pericles comprou a pezo de oiro o general lacedemonio; e concluiu com elle um tratado em virtude do qual Athenas, para não perder a Eubéa, restituiu todos os pontos de que se havia apossado nas costas do Peloponeso.{44}

As duas cidades rivaes ajustaram uma tregua de 30 annos (445), garantiram mutuamente as suas hegemonias. Assim ficou Esparta com a preponderancia continental; Athenas, com o dominio do mar.

[CAPITULO VII]

O SECULO DE PERICLES

Pericles, grande estadista e guerreiro, que nasceu em 494 A. C., era filho de Xantippo, o vencedor dos Persas em Mycale. Apezar da sua ascendencia nobre, adoptou os principios democraticos e poz-se á frente do partido popular.