—E como não lhe fosse permittido professar...
—Não seja leviano. Esther adora as begonias, como sabe.
—Paixão que acarreta ao meu amigo uma despesa séria. Cada dia lhe traz uma especie nova, numa corbeille admiravel.
—Essa adoração tem a seguinte historia. Á hora da partida o missionario mandou á condessinha num vaso da China, uma explendida begonia rex-isis, especie do mais bello effeito decorativo. É um vaso amplo, de figurinhas em relevo e pequenas azas de oiro, representando dragões engalfinhados.
—Conheço bem essa preciosidade! Vale a olhos fechados cem libras. E depois?
—A begonia durou pouco. A estufa para onde a transportaram, e a convivencia das mais plantas abreviaram-lhe os dias. Já entrou na estufa da condessinha?
—Muitas vezes. O vaso está ao centro, sobre um pequeno pedestal de marmore branco e debaixo de uma redoma de crystal em gomos.
—É isso, com a begonia sêcca.
—Tal qual! Muitas vezes perguntei á condessinha a historia d'aquelle esqueleto de planta. E agora me lembro—ella ficava triste e suspirava. Era a theologia do primo adorado.
—Hontem vim visitá-las de manhã. Trazia-lhes um euforbio raro do Mexico, que os francezes chamavam Poinsettie, exemplar soberbo. Conhece?