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SABEDORIA—É a arte de ser tolo sem que os outros percebam. «Sabenças para que servem?» Disse o Camões, ou não sei quem. Portanto, é chiar do papo e deixar gyrar o marfim.
SABER—A desgraça da humanidade. Quanto mais o individuo se afasta da sua esphera, maior numero de necessidades cria e mais difficuldades achará para satisfazel-as.{250} Os apostolos da instrucção a todo o trance nunca pensaram n'isto. Quanto maior for o numero dos instruidos, menos emprego haverá para elles, e a sociedade terá tornado mais insoluvel o problema da felicidade humana. O que na ignorancia se contentava com cigarros e mau vinho, illustrado quererá Champagne e charutos havanos. Aonde os tendes para lhe dar, oh! prégadores do ensino obrigatorio?! Acaso a vossa sociedade póde satisfazer as aspirações ambiciosas de um povo de sabios?! Julgaes que os communistas de Paris não sabiam ler nem escrever? Ora mettei a viola no sacco, que eu faço o mesmo.
SABIO—Aquelle que chegou a conhecer a sua inepcia e ignorancia. Creio que não ha nenhum.
SABUJO—Cão que engraixa botas.{251}
SADIO—Natural de terras em que não ha boticas nem medicos.
SAGUÃO—Foco de infecção, alimentado em Lisboa pelo patrocinio da policia.
SAL—A maior necessidade litteraria do nosso tempo.
SALADA—Discursos parlamentares.
SANDICE—Senhora do meu maior respeito.