SEDA (BICHO DE)—Se esses pobres vermes soubessem para quem trabalham ás vezes!...
SÊDE—É tambem um dos motivos por que a gente bebe. Mas entre a agua dos canos de chumbo e os vinhos das nossas tascas deve haver hesitações dolorosas!
SEGREDO—Se não queres morrer solteira, nem ao teu travesseiro reveles o que te aloira os cabellos, ou te arredonda graciosamente o seio. Um olhar desconfiado adivinha trouxas e chumaços, até onde elles nunca existiram! As tintas claras são perfidas;{254} o algodão em rama tem achatamentos imprevistos, de denunciante vilão; não te fies senão no roast-beef inglez, no salpicão de Castello de Vide, no bom Bairrada e no velho Porto. Só elles são discretos e generosos. Pede-lhes o que te falta, e serás feliz se te attenderem.
SELVAGEM—Sujeito que não doura pilulas.
SEMENTEIRA—Fonte da esperança.
SENSO (COMMUM)—Velharia. A idéa nova promette dar cabo d'elle.
SENSUAL—Pessoa que tem o diabo no corpo.
SENTIR—Padecer.
SEPULTURA—Logar onde se arrumam{255} cousas inuteis, que não tornam a servir.
—Caixa do esquecimento.