XAROPADA—A maior suavidade da medicina. Apenas estraga o estomago.
XAROPE—Discurso do devedor que pede reforma de letra.
XENOMANIA—Gosto de estrangeirices, muito peculiar em varios litteratos que não sabem a sua lingua.
XEQUE—Termo de xadrez, quando se annuncia ao parceiro que o rei d'elle está ameaçado de perigo. Os diccionarios portuguezes trazem xaque, palavra que nunca se pronuncia entre nós.
—Em todo o caso, prefiram os xeques dos bancos aos do xadrez, que eu faço o mesmo.
XEQUE-MATE—Ultimo lance do jogo do xadrez, quando o rei vencido flca prisioneiro. Nenhum dos diccionaristas portuguezes{302} conheceu até hoje aquelle jogo, aliás não escreveriam todos, com automatica unanimidade, xamate, que ninguem diz, nem disse nunca, em vez de xeque-mate.
—D. Miguel, em Evora Monte; Napoleão III, em Sédan; D. Carlos, na Hespanha; todos levaram xeque-mate. A opposição portugueza deu xeque aos ministros passados, que entregaram a partida, e está hoje applaudindo outros jogadores. Vejam, mas não atrapalhem. Preparam-se grandes lances, sobretudo se jogarem os bispos! Tomem sempre cautela com os peões. Por se não contar com elles, perde-se muitas vezes o jogo.
XIPHOIDE—Nome scientifico da espinhela. Oh! caros leitores, se ella vos cair alguma vez, procurae-a... n'este diccionario.
XIRA—Grande comezana á mesa do orçamento.{303}
XIS—Segundo um sabio estrangeiro, residente em Portugal, x vem de chin, que o dito philologo escreve xin. Em questões de tão alta sciencia metto a viola no sacco.