COPO—Perdição de muita gente boa.

CORAÇÃO—Cavallo que quando nos leva por bom caminho nos faz apanhar coices dos outros.

—Cabide de pendurar affectos.

CORAL—Planta que, depois de colhida, se rega com oiro.{66}

CORRUPTO—Homem que se põe a par do goraz condemnado na Ribeira Nova, mas que não tem o mesmo destino, infelizmente!

CORTADOR—Membro da sociedade de liquidação social, quando tira modestamente cem grammas em cada peso.

CÔRTES—Inferno dos ministros, que são ali atormentados pelos que pretendem ser grandes diabos como elles.

COSTELLA—Mãe do genero humano. Eu amo as de vitella, assadas na grelha; mas não me opponho a que o leitor ou a leitora prefira as de carneiro.

COSTUMES—Façam idéa! As elegantes que no ultimo outomno se refrescavam nas praias de Mattosinhos, estabeleceram um{67} premio para o tiro aos pombos! Era uma medalha: de oiro, tendo de um lado uma corôa de louro (!) e a seguinte inscripção:—Premio das Senhoras.—No reverso dizia:—Tiro aos pombos no hippodromo de Mattosinhos, outubro de 1877[3].—Não se dizia se tambem ellas atiravam, mas facilmente se calcula o que a sociedade tem a esperar d'essas passadas, presentes ou futuras mães de familia. Quando as pombas se fazem milhafres é porque já não podem ser nada melhor. Ai de vós, gaviões de frak e chapéu alto da sociedade protectora dos animaes! D'esta vez podeis gritar: «Aqui d'el-rei!»—As matronas do hippodromo são capazes de vos trucidar, e a nós todos tambem.

COVARDIA—N'outro tempo davam-se{68} dois pontapés em quem a tinha; hoje, todos os covardes são valentes... comedores.