FRALDIQUEIRO—Homem mulherengo.

FRANCEZA (LINGUA)—O portuguez de muitos litteratinhos nossos.

FRANQUEZA—Virtude dos anthropophagos.{107}

FRAUDE—Brincadeira de mau gosto.

FRUCTO—Poema da arvore.

FUMAR—Minhas senhoras: No tempo em que estupidas modas, inventadas em França por mulheres de má nota, não tinham estragado as cabeças a vv. ex.as, era permittido aos poetas consagrarem versos e louvar a belleza dos seus cabellos. Depois, as trouxas monstruosas, os chignons, as cuias, os crescentes, e outros chumaços ridiculos, e absurdos trouxeram-lhes a calvicia precoce. Hoje não se póde alludir aos penteados sem que vv. ex.as fiquem em duvida se se lhes dirige um comprimento ou um epigramma. Restavam-lhes ainda, comtudo, os dentes alvos e as bocas perfumadas para nos não afugentarem inteiramente.

A alimentação de generos falsificados e o mercurio da medicina, trabalhavam, porém, incessantemente para lhes ennegrecer o marfim{108} e corromper o halito; mas a acção d'esses venenos era lenta... De repente, vv. ex.as, que já se haviam apropriado do instrumento dos fadistas, a guitarra, lançam-se tambem na atmosphera de tarimba do mau charuto e da cigarrilha de papel! Isto é: adoptam o vicio repugnante do tabaco, impregnam os seus vestidos no cheiro nauseante d'essa droga venenosa, e entregam ao fumo, para que lh'os ennegreça inteiramente, os restos dos dentes que a carea e os preparados mercuriaes iam roendo de má vontade! Isto é uma resolução desastrosa, infelicissima, louca. Abstrahindo do pessimo effeito que produz n'um publico que não foi educado no Brazil, ou na Havana, o espectaculo da degradação de vv. ex.as, supplico-lhes que considerem o caso simplesmente pelo lado artistico. A mulher era ainda ha poucos annos o ideal do homem. Convinhamos todos em chamar-lhe fada, nympha, anjo, etc., tanto em má prosa como em peior verso. Imaginem, porém, se{109} ha possibilidade de sustentar esse ideal, vendo-o, e sentindo-o, com os dentes negros, os cabellos postiços, e rescendendo a cheiro de logares suspeitos! Alem d'isso, tangendo e amando o fado como as infelizes que não teem mais consolações, nem dinheiro.

N'outro tempo, o homem que fumava não se atrevia a entrar nos aposentos de uma senhora, sem ter esfregado os dentes e lavado o bigode com essencias de cheiro delicado e imperceptivel; mudava cuidadosamente o fato, para que o odor do tabaco o não denunciasse como pessoa de instinctos e vicios grosseiros. Hoje, serão vv. ex.as que necessitem de tomar essas precauções, antes de apparecerem aos homens, para que estes as não julguem amantes de fadistas! Convenho que estão no pleno direito que lhes dá uma sociedade apodrecida, que já não tem que perder; mas pela minha parte, e até com risco de desagradar a vv. ex.as, declaro-lhes que prefiro a companhia de um cabo de esquadra{110} bebado á de uma mulher que fuma. Depois d'esta confissão ingenua, sei que vv. ex.as me não mostrarão mais, através do sorriso amavel, as suas perolas... pretas. Prefiro, comtudo, o odio de vv. ex.as á torpeza de lhes mentir, louvando-as por andarem de charuto na bôca, em vez de trazerem ao peito o filho que entregam á ama mercenaria. Quando uma mulher troca o amor conjugal ou maternal por uma caixa de habanos, a sociedade não tem a esperar d'ella senão cinza de mau tabaco.

É esse, effectivamente, o producto de que estão sendo construidos os homens do futuro. Que lhes preste!

FUNDOS (PUBLICOS)—Uma bexiga que se póde romper e deixar-nos afogar, se nos mettermos a nadar com ella muito ao largo, no mar da especulação. (Desculpem o estylo pindarico.){111}