Depoimento de João Chagas:

«Que o artigo da Republica Portugueza sob o titulo Terceira meditação era seu e que o artigo que se seguia a esse o não era; sabia bem de quem era, mas não o dizia. De resto, sendo elle director do jornal, folgava em poder declarar que[{160}] assumia, inteira e completa, toda a responsabilidade dos artigos alli publicados. Inquirido sobre o facto de ter incitado á revolta, declarou ter incitado á revolução que não se dera, porque o movimento de 31 de janeiro não fôra um erro politico, mas um erro de gramatica, um erro de palmatoria. Respondendo á pergunta—se os artigos do seu jornal eram attentatorios das instituições vigentes—disse que os membros do tribunal bem melhor do que elle poderiam e deveriam saber de semelhante cousa.

«Era republicano e, como tal, não poderia, está bem visto, defender as instituições que julgava não convirem á felicidade da sua patria. Uma vez convencido d'isto, não recuaria deante de qualquer obstaculo ou contratempo; a sua convicção, arreigada pela força da experiencia da sociedade portugueza, era pela mudança do systema de governo. No movimento de 31 de janeiro não tomara parte pelo motivo de estar preso na cadeia da Relação, por causa da primeira querella do seu jornal, depois da lei restrictiva de Lopo Vaz contra a imprensa democratica.

«Todas as suas declarações, feitas com um tom de franqueza e sinceridade, proprias da sua nobreza de caracter, foram escutadas attentamente e produziram sensação. Ao findar o seu interrogatorio, travou-se entre elle e o auditor o seguinte dialogo:

«—Teve conhecimento antes, do movimento que havia de effectuar-se no dia 31?

«—Sim, senhor.

«—Pode dizer-me, quem lh'o disse?

«—Não quero».

Depoimento de Homem Christo:

«Contrariara o movimento, como provava pelo artigo dos Debates e pela circular do Directorio[{161}] em que figura o seu nome, pela sua ida ao Porto para dissuadir Santos Cardoso e pela descompostura que por esse motivo recebeu do mesmo Santos Cardoso.