Zinão descobre-se, perante o nome que alli vêdes.
XI
Os Quadros da Collegiada
A Arte nasceu d’esta nobilissima aspiração do espirito humano para, na investigação do Bello, dar á Materia a fórma das suas idêas e das suas crenças.
O desenvolvimento intellectual de um povo e a sua influencia na obra da Civilização, podem estudar-se nos diversos productos, em que se reproduziu o genio dos seus artistas.
Aos dolmens e menhires, aos toscos instrumentos das edades paleonlithica e neolithica succedem essas colossaes construcções das margens do Nilo, as pyramides, os templos, as esphinges; os bronzes, as loiças e esmaltes, já de notavel perfeição, dos antigos egypcios.
Surge, depois, o povo helleno com a sua admiravel architectura; com as formosissimas e inimitaveis estatuas de Phidias e de Lysippo; com a Venus de Milo e o Apollo de Belveder; com as formosas telas de Zeuxis e de Parrhasio; com todas as maravilhas, emfim, d’essa assombrosa civilização tão alta e tão brilhante, que ainda depois de passados vinte seculos, quando no horisonte despontavam os primeiros clarões da ridentissima alvorada—a Renascença—era ainda d’ella que, para geniaes concepções, recebiam inspiração e luz esses divinos artistas, que se chamaram Vinci, Raphael, Ticiano, Carrachio e Miguel Angelo.
Com a Renascença accelerou-se a marcha evolutiva da Civilização; e o espirito do homem, depois de enriquecer as sciencias com preciosas descobertas, de desenvolver as industrias com novas e utilissimas applicações, crystallisa-se em fulgidas creações onde, com toda a nitidez de contornos, com toda a opulência de colorido, com toda a fidelidade de cambiantes e com todos os esbatidos do iris se reproduzem as mais extraordinarias maravilhas da formosissima Mãe—a Natureza.
A Historia da Arte é a Historia da Civilização; é a Historia do Homem no seu meio, nas suas crenças, nas manifestações da sua intelligencia, nas aspirações da sua alma, na grandeza dos seus affectos.