Como se deve classificar a nossa Politica?
Politica voluvel, incolôr, de... contradança!
Repito:
de contradança.
Ora aqui está, justamente, o ponto de reunião entre ella e a individualidade do nosso deputado. Aqui está, onde uma e outra se coadunam, se consubstanciam, se identificam.
Em Politica somos dançarinos. Pois para representar dançarinos e para comprehender as suas aspirações, como o Justino Soares, ou os srs. Roldão e dr. João Cabral se não habilitam a um circulo, claro é que se devia escolher um estranho, versado e perito nos segredos da arte de Terpsichore. E, para satisfazer cabalmente a estas condições (creio que os srs. Joaquim e Abilio se não atreverão a refutar esta minha proposição) ninguem—absolutamente ninguem—se encontraria mais habilitado, do que o nosso actual representante.
Isto não é uma asserção gratuita. A vizinha villa de Cerveira a confirmará, quando se torne necessario.
Porque é que o sr. Visconde da Torre não provou bem, como deputado? Porque nunca poderia representar dignamente Valença, com o seu volumoso abdomen, com a abundancia do seu tecido adiposo, com o pouco desempeno dos seus movimentos, com a pouca elegancia (perdoe Sua Excellencia) da sua linha. Dançava pouco e mal. Era, mesmo, detestavel a sua posição quando, pela complicadissima tactica das danças, era obrigado a fazer um en avant. Não tinha ropia nem salero, nem entrain.
Mas o nosso actual representante...
Que saudosas recordações não originarão estes periodos ás tricanas e sopeiras de Villa Nova—a chiquita!