Ora aqui está, meu senhor, a razão porque o Concelho ganhou o titulo de burgo podre e a razão porque a gente, quando vae offerecer o circulo a pessoas serias, como succedeu ha mezes, é posta no ôlho da rua pelo creado da casa.
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Voltemos á Questão da Musica e encaremol-a pelo seu verdadeiro aspecto—o comico.
Esta celeberrima questão, decomposta nos seus factores, baseia-se n’uma simples formalidade, n’uma pueril e ridicula ceremonia: a licença do Conde de Lippe, a licença do Administrador, ou uma e outra concedidas ao mesmo tempo.
É um caso comico, como o do Hyssope.
Examinemos:
A Musica é a applicação artistica do som; influe poderosamente em a nossa natureza psychica, quer a agite com as sonatas de Beethoven, em que o Sentimento nos apparece burilado e subtil, como uma cinzeladura de Cellini, quer tumultue nas estranhas innovações de Wagner, em que a Harmonia, á primeira audição, nos fére de imprevista e áspera.
Decomposta nos seus elementos, a Musica reduz-se a simples vibrações, transmittidas pelas ondas sonoras. No caso presente, visto que na Questão da Musica se trata d’um grupo de labregos, que selvaticamente mortificam os nossos apparelhos auditivos, essas vibrações que, pela instrumentação, se transformam na Harmonia, partem do organismo humano.