O retrocesso, o dominio brutal da pedra; isto é, Pasteur, Edison, Comte, Jenner, Spencer, Hugo, Castelar, Capello, Ivens, Herculano, Pestalozzi, Broca, Kossuth, Humboldt, Chevreul, Wurtz, Lesseps, Eiffel, arremessados para a barbarie dos tempos primitivos, para a idade paleolithica, em que o homem usava cuecas, cozinhava de cocoras, contava pelos dedos e pescava trutas á unha, porque desconhecia, ainda, a engenhosa disposição do anzol e a grande vantagem da minhoca.
Significam os combates dos barbaros; a bruteza dos despotas; as luctas fratricidas; o assassinato legal; a ambição copulada pela força; a lucta braço a braço, arca por arca, alma a alma; a feroz e brutal sensualidade do vencedor, que sorve dos labios do vencido o ultimo alento; o escabujar do moribundo nas vascas de cruissima agonia...
Significam as pontes levadiças, o embate de duas ondas humanas que se chocam, se enroscam, se atropelam, se mordem e se agitam por fim, convulsivamente, n’um montão disforme de farrapos, de carnes ensanguentadas, onde rouquejam as maldições, os estertores, até que as rodas da carreta, ou as patas ferradas d’uma mula acabem de esmagar, de confundir e triturar.
Significam o assedio, o bombardeamento, o incendio, a fome, as mil privações e sobresaltos; a viuvez, a orphandade, o lucto—a morte; isto é: quatro pás de terra sobre um corpo amado, que jaz hirto e nú, ahi para qualquer canto, sobre o monturo, proximo á Sexta; as canções roucas e truanescas dos coveiros do Hamlet; o uivar sinistro da canzoada lazarenta, que escancara as mandibulas, esgaravatando a terra para esfarrapar as carnes; o crocitar lugubre dos corvos, que revolteiam no azul dos céos, espreitando lauto e succulento festim no rebordo ensanguentado das feridas...
Significam a agonia lenta, afflictiva; o velar-se da vista nas sombras da Morte e, n’esse debil bruxolear do espirito, a visão meiga e então dolorosa da familia, da infancia, dos affectos que nos ligaram á vida sem que, collados os labios, confundidos os alentos, n’um derradeiro olhar e n’um derradeiro beijo, se possa desprender a alma entre almas que nos amaram.
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Com que veneração e respeito eu conservaria uma das tuas cans, benemerito Pasteur, apostolo bemdito do Bem, e com que tremendo pontapé eu te esmigalharia o busto, se aqui o tivesse, feroz Napoleão, negro chacal da Morte, para quem são poucos todos os horrores e tormentos, que a genial e portentosa imaginação de Dante phantasiou nos seus nove circulos!
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Felizmente, toda esta sentina de granito que os espiritos bellicos e phantasistas denominam formidolosa Praça, nunca teve um real de importancia, na historia militar do nosso paiz.