N’essas paginas ha artigos inoffensivos e ha periodos, em que a ironia é violenta—desde já o declaro—porque foram inspirados no affecto, que a esta terra consagro e no vehemente desejo que nutro, de que ella se liberte da ignobil inercia, que a domina e de influencias ridiculas, que a amesquinham.

Descarna-se n’elles, com o escalpello do sarcasmo, a parte d’este organismo que a podridão ataca, applicando-se, como cauterio, o ridiculo e a gargalhada, como desinfectante; mas não influe n’essa operação a sensualidade brutal do estripador londrino, ou a ferocidade selvagem da sanguinolenta tragedia de Pantin. Ha a insensibilidade e a firmeza de pulso, que a Sciencia recommenda ao operador quando, para salvar orgãos essenciaes á vida, lhe impõe a immediata extirpação e cauterio violento d’outros, que o mal apodrece.

Essas linhas foram, pois, pautadas pela dignidade e nunca n’ellas predominou a influencia de resentimentos mesquinhos, ou a intenção de referencias offensivas, que seriam torpes, como anonymas.

Eis o meu programma e se alguma vez se desfivelar a mascara do Zinão, oxalá que uma erronea interpretação do que se vae ler, não faça afrouxar a acção nervosa, que hoje me extende a mão de muitos amigos, que figuram n’essas paginas.

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Passo a afinar a rabeca.

Valença—Novembro, 1889.

Zinão.