As propriedades, como disse, estavam debaixo da nossa vigilancia permanente.
Logo que a uva principiava a pintar, a pera a mudar de côr, a melancia a ganhar casca—dava-mos assaltos medonhos!
Uma vez, combinamos o ataque ás melancias do sr. Fontoura. Ainda estavam verdes, mas duas, ou tres, principiavam a carregar na côr.
O calor abrazava. Era necessario ser um Santo, para resistir á tentação.
Á hora combinada, entramos na propriedade, cautelosamente, sorrateiramente, como quem anda aos grillos.
Tinhamos, já, duas melancias cortadas e tratava-mos de metter a unha, em certa parte das outras (de que eu não digo o nome, porque póde ser lido por senhoras) para verificar se estava molle ou rija, quando ouvimos gritos de agarra! agarra! e logo, após, o estampido d’um tiro!
Eu não posso explicar o que succedeu. Parece que nos agarraram pela golla da jaqueta e nos levaram, pelo ar, até á Esplanada!
Alli paramos, porque já não havia ar no mundo para os nossos pulmões. Consideramos no caso...
Apalpamo-nos cuidadosamente, demoradamente. Estendemos primeiramente uma perna; depois outra; depois um braço.