Jupiter encastellava o dinheiro das ferias; fechava a escrevaninha; trocava a japona da fabrica pelo manto de arminho, e dispunha-se a sahir, tocando de passagem a sineta, para se fechar o estabelecimento.
Mas n’isto, principiou a elevar-se do caldeirão que estava proximo, cheiro activo e nauseabundo, (como o do esturro em guisado francez) que, espalhando-se na atmosphera, seriamente incommodou a regia pituitaria.
Aproximou-se Jupiter e olhou.
No fundo do pote, já com a côr do carbonisado, estrugia o resto da massa que ficára, da que n’esse dia se tinha dosado para a preparação dos hypocritas. Pouco valor aquillo tinha, porque era da mistella mais vulgar e mais facil de preparar; mas Jupiter não perdia ensejo de incutir nos seus operarios os deveres d’uma administração rigorosa e economica.
Ordenou, pois, a dois cyclopes que trouxessem do barril do lixo algumas aparas, recommendando que preferissem as mal-cheirosas e de côr escura, que pertenciam á massa dos invejosos e dos usurarios.
Avivaram o fogo; deitaram os novos elementos no caldeirão; remexeram com o cabo d’uma vassoira, porque a ferramenta já estava guardada e limpa; e, depois de cinco minutos de ebullição, Jupiter provou a mixordia. Estava sobre o insipido.
Deitou-lhe umas pitaditas de sal e de pimenta, com que preparava os maldizentes.
Provou de novo. Estava picante de mais.
Temperou, então, com o betume dos ociosos; e deixou ferver tudo, durante outros cinco minutos.