evangelhos com trufas e Biblia com champagne; e ha quem isto amanhe tudo em operas buffas.

Escrevei, ó poetas namorados!
com a tinta geniosa dos enxurros
estes sadios e modernos guisados
capazes só de sustentar os burros.

Libae poetas! e bebei n'um pulo
o sangue com gangrena
pelas aurifras taças de Loculo,
nos braços da pequena.

Lambei os lambusados pratos
d'esta babylonica orgia:
e p'ra rimar mettei Pilatos,
mettei no credo a gemonia.

E Gehovah e Jonas e Vitellio
almoçaram aqui ventres de sapos,
e embrulharam-nos em ostias de trapos,
andando na pandega com Aurellio.

Astarteia com os dentes de Ugolino
roe por vezes podridões syphiliticas,
indo depois ás sergetas mephiticas
com Torquemada descantar um hymno.

A luxuria d'um frade
com varios paradoxos,
dão da melhor vontade
relinchos orthodoxos,
rindo-se do cisco dos ripansos,
e das varreduras dos missaes,
e cabritando pelos passaes
de pescoço alçado como um ganso.

Aqui temos muitas vezes
Job e Falstaff e Ezequiel,
o que rima com Ariel
e come esterco das rezes.

Aqui vêm todas as Venus sensuaes,
carregadas d'escarros luminosos,
abraçadas com uns pobres gotosos
que lhes pagam as scenas jantaraes.

Temos a latrina de Pandora
p'ra casos do aperto mais velhaco.
Tambem ha a caverna de Caco
mas vive n'ella, Agrippina, agora.