—Está... cclaro... Pen... sarei. Espera ahi! Deixa ver se me vou recordando... por p... partes... Pri... meiramente, o Phio... philo, o meu cocheiro.
—Não se trata agora do Phiophilo, querido tio!
—Está... cclaro!.. Não se trata... já se vê... que era de Napoleão... E depois, tomámos chá... Appareceu uma se... senhora... e comeu-nos o açucar... todo...
—Não é nada d'isso, tiozinho, destampa para ali o Mozgliakov, fóra de si, quem lhe contou essa historia foi a Maria Alexandrovna, a respeito da Natalia Dmitrievna! Eu estava ali, escondido, atrás da porta; ouvi tudo!
—Ora esta, Maria Alexandrovna! agarra no ar a Natalia Dmitrievna, com que então foi pespegar ao principe que eu lhe tinha furtado o açucar? Eu, então, venho a sua casa para furtar açucar!
—Passa fora! mal encontra forças para emitir Maria Alexandrovna.{176}
—Não, lá isso, tenha paciencia, Maria Alexandrovna, não lhe assiste o direito de se negar a responder. Eu, então, furtei-lhe o açucar? Estou farta de saber que não faz senão cortar-me na pelle, ha muito tempo!... Sou eu, então quem lhe furto o açucar!...
—Mas... mi... minha senhora... isso de açucar... era sonho... o tal sonho...
—Dorna d'uma figa! resmunga entre dentes Maria Alexandrovna.
—Eu lhe direi quem é a dorna! ulula a Natalia Dmitrievna. E a senhora, que será então? Ha muito tempo que me pôz essa linda alcunha! Mas, sequer ao menos, tenho um marido, emquanto a senhora se contenta com um cêpo.