O palacio, dizem, foi erguido pelo primeiro marquez de Alegrete, Manuel Telles da Silva, conde de Villar Maior. Foi feito marquez por D. Pedro II em 1687 (v. Diario de Noticias, de 17 de junho de 1902). Provavelmente foi começado, houve demorada construcção, soffreu alterações; a mansarda será do meio do seculo XVIII; é possivel que a escadaria seja da época de D. João V. Para admirar seria que nesses tempos um Telles da Silva, em poucos annos, observando um só plano, conseguisse erguer um palacio, chamados, como eram, os principaes da illustre familia, para altos cargos no reino, no ultramar e no estrangeiro.
Existe na matta uma capella, incompleta, dedicada a Santo André Avelino pelo conde de Tarouca, Fernando Telles da Silva, em 1778. E ha, noutro ponto da matta, uma ermida rustica, com seu alpendre, um pouco mais antiga.
No jardim alegretes e assentos são azulejados, representando scenas de caçadas.
As salas teem tectos de madeira e rodapé alto de azulejos, como as do palacio do Correio-Mór, perto de Loures, e as do casal do Falcão, perto de Carnide, agora felizmente restaurado, segundo ouvi dizer, sob a direcção do conhecido e estimado architecto sr. Raul Lino.
Nos jardins vi magnificas hortenses e na matta ulmeiros, pinheiros mansos, seculares medronheiros, sobreiros veneraveis. O meu amavel guia disse-me os nomes de algumas arvores, conservados na tradição familiar; o mais antigo é o sobreiro dos quatro irmãos, assim chamado porque a pouca distancia do solo o tronco se divide em quatro pernadas reaes, cada uma d’ellas como uma grande arvore.
Ha uma fonte de agua ferrea na matta, e outra numa alameda de ulmeiros, com um grupo em marmore, veado filado por um rafeiro; no outro extremo d’essa alameda deliciosa fica o jogo da bola.
Essas salas de grande pé direito, de chão ladrilhado, de lambris de azulejo, e tectos de madeira, conservando o ar antigo, não estão vasias ou despidas. Estas, felizmente, teem muito que vêr e respeitar.
Vi moveis antigos, cadeiras d’espaldar com os brazões de familia, grandes leitos de pau preto, com torcidos e lavores.
Os donos da casa fizeram abrir armarios e eu vi desfilar pratas antigas marcadas; ceramicas e crystaes, porcellanas de Sèvres, de Saxe, da India e Japão, de verdade e alto valor. Vi um copo de crystal lapidado com uma vista de Santarem, pintada no crystal, bem interessante: e um dragão de prata, perfumador enorme, trabalho pouco visto, que me disseram ser feito em Moçambique.
Nas paredes retratos de pessoas de familia, e que familia! esta dos Telles da Silva! É vêr ahi nas genealogias as séries de paginas com descendencias e arvores de costado mais frondosas que o sobreiro dos quatro irmãos. Até o venerando D. Manuel Caetano de Sousa escreveu uma obra em dois volumes (Bibliotheca Nacional de Lisboa. Manuscriptos, fundo antigo, C-3-16 e 17. N.ᵒˢ 1048-49), a respeito d’esta familia com o seguinte titulo bem curioso.—Corôa genealogica, historica e panegirica da Excellentissima Casa de Tarouca formada do purissimo ouro dos Silvas, illustrada com a esplendidissima pedraria dos Menezes, adornada com as augustissimas flores da Magestade, fechada com elevados semi diademas da Heroicidade, terminada na altissima esphera da Soberania, consagrada com a sempre venerada cruz da Santidade, dedicada ao ex.ᵐᵒ sr. D. Estevão de Menezes filho primogenito dos ex.ᵐᵒˢ srs. condes de Tarouca João Gomes da Silva e D. Joanna Rosa de Menezes—.