que significa Claudio Coelho desenhou e Francisco Houat gravou. No tecto d’esta casa estão pintados em tela os quatro evangelistas. Acham-se mencionados nas Memorias de Volkmar Machado (pag. 318); são de Bernardo Antonio de Oliveira Goes. O pae d’este, Manuel Antonio de Goes, era pintor de figura e pintou muitos azulejos. Vi outras telas que me pareceram do mesmo pincel na egreja da Graça.

O Asylo da Conquinha

Fica este asylo a breve distancia de Torres, uns vinte minutos de agradavel passeio a pé. Segue-se a estrada da Varzea, entra-se no amplo valle, vestido de culturas, arvoredos fructiferos, bellos vinhedos; ao lado da estrada fica um edificio moderno de aspecto alegre e confortavel, convidativo, é o asylo de S. José; como o sitio se chama a Conquinha, é vulgarmente conhecido por este nome. Santa instituição! Foi este asylo fundado e dotado pela benemerita D. Maria da Conceição Barreto Bastos, fallecida em 21 de maio de 1901. Velhinhos impossibilitados de trabalhar encontram aqui agasalho e sustento, abrigo tranquillo nos seus ultimos annos de vida.

A casa é cercada por ampla quinta bem cultivada com seus jardins floridos, e bellas arvores de fructa. Tudo muito asseiado e confortavel; mais me agradou ainda o ar satisfeito dos asylados, felizes naquelle ninho de caridade. A fundadora instituiu tambem uma escola, na villa, para meninas, com ensino gratuito; a sua memoria deve ser abençoada; o seu nome gravado no marmore dos benemeritos, e no coração de todos os que veneram estes bons exemplos do incondicional altruismo christão. Quando alli estive, visita casual, era gerente ou director do asylo, o sr. conego prior Antonio Francisco da Silva, cujo nome ouvi cercado pelos asylados da Conquinha com palavras de respeito e gratidão.

Ruços, além!

Preparava-se a jornada de Ceuta.

Havia cabeças enthusiastas, e cabeças duvidosas; timidos e prudentes ao lado dos muito ousados. El-rei D. João I estava em Cintra com os infantes; mandou convocar os do Conselho para Torres Vedras; eram o conde de Barcellos, o condestavel D. Nuno, os mestres das ordens de Christo, de Santiago e d’Aviz, o prior do Hospital, Gonçalo Vaz Coutinho, Martim Affonso de Mello, João Gomes da Silva, muitos outros senhores e fidalgos.

Nesses dias Torres Vedras acolheu muitos cavalleiros de espora dourada, os grandes senhores territoriaes e militares do paiz.==El Rey partio de Cintra, e foy folgando por aquella comarca de Lisboa caminho de Torres Vedras (isto conta o Azurara, na Chronica de D. João I, parte 3.ᵃ, cap. 24) e antes disto chegando El-Rei a Carnide, o infante Dom Enrique que muito desejava por seu corpo fazer alguma cousa aventejada, chegou a seu padre e disse: Senhor, primeiro que por estes feitos mais vades adiante, porque com a graça de Deos vem já por tal via, que viram a boa fim, eu vos peço por mercê que me outorgueis duas cousas. A primeira que eu seja hum dos primeiros, que filhe terra quando a Deos prazendo chegarmos davante da cidade de Ceita; e a segunda que quando a vossa escada real fôr posta sobre os muros da cidade, que eu seja aquelle que vá primeiro por ella, que outro algum.

Isto disse em Carnide o infante D. Henrique a el-rei D. João; estranho requerimento para a morte na vanguarda extrema, bem natural ao forte coração do rapaz. Chegou el-rei a Torres Vedras, e logo teve uma falla com o condestavel.

Este approvou o plano e prometteu ao rei a sua influencia favoravel...