No domingo de Paschoa, 3 de abril de 1904, celebrou-se missa no altar mór, a primeira depois das morosas obras de concerto e reparo que durante annos impediram os exercicios do culto.
O lindo sitio de Carnide
(1898)
Março de 1898.
Por tristissimo incidente na minha vida tendo de passar uma temporada em Carnide, onde a amabilidade de uma familia excellente nos quiz espairecer da fatalidade brutal que nos feriu, eu, seguindo a velha tendencia do meu animo, comecei de indagar historias, e dar passeios pelas azinhagas solitarias; os largos passeios pelos campos que são a melhor fórma de isolamento doloroso.
Muito naturalmente, para esclarecimento, consultei alguns livros; o primeiro que abri causou-me admiração; foi o Diccionario Popular publicado sob a direcção de Pinheiro Chagas.
—É sitio procurado no verão por alguns habitantes da cidade, que ali vão convidados pela sua amenidade. Gosa o logar egualmente de reputação de bons ares e abundancia de aguas, bem como alegre posição. Manda a verdade que se diga que o logar é detestavel, formado por algumas duzias de casas insalubres, dispostas em arruamentos sujissimos, para os quaes se fazem todos os despejos, e não tem passeios, nem jardins, nem quintas, nem arvoredos, nem bons pontos de vista. As aguas são extremamente escassas e os ares, por muito bons que podessem ser, resentem-se das más qualidades do sitio. Ainda assim o logar grangeou fama immerecida, e varias familias de Lisboa o procuram para terem dois mezes de campo! São gostos!—
Ora a verdade é que o sitio de Carnide me impressionou agradavelmente com as suas largas vistas, brilhantes, matizadas de verdes, as suas graciosas quintas, as suas azinhagas quietas entre vallados de madresilvas, caniços, heras, roseiras, pilriteiros e congossas nas juvenis florescencias do começo de primavera.
E abri outro livro.