A egreja de Nossa Senhora da Luz foi fundada por 1540, pela infanta D. Maria, filha d’el-rei D. Manuel e de sua terceira mulher D. Leonor. A fundadora está sepultada na capella-mór.
O terremoto de 1755 damnificou muito esta egreja; existe apenas (agora em bom estado, depois da obra recente que ali se fez) a capella-mór e o cruzeiro.
Continúo a seguir o Pinho Leal.
Convento de freiras carmelitas descalças de Santa Thereza: é antigo, foi reedificado pela infanta D. Maria, filha natural de D. João IV, por 1680.
Frades carmelitas descalços, de S. João da Cruz, fundado pela princeza Michaela Margarida, filha de Rodolpho II, imperador de Allemanha, por 1642, que n’elle está sepultada (nem o imperador se chamava Rodolpho; e a pobre princeza está sepultada no convento de Santa Thereza, como logo contaremos). A infanta D. Maria, filha de D. João IV, viveu aqui (no convento de Santa Thereza) de 1649 até 1693. Foi mestra da infanta D. Luiza, filha bastarda de el-rei D. Pedro II.
Esta D. Luiza foi reconhecida por D. João V, que a casou com D. Luiz Alvares Pereira de Mello, duque de Cadaval; por morte d’este casou com D. Jayme, seu cunhado, que ficou sendo duque de Cadaval, porque o primogenito morreu sem geração.
A infanta D. Maria, filha natural de D. João IV, veiu para aqui de tenra idade. Reedificou a egreja e o mosteiro, ampliando muito o edificio. Viveu recolhida sem professar. O reconhecimento como filha do rei foi feito solemnemente na presença da familia real e da côrte, no mosteiro. Esta senhora era muito estimada; as rainhas D. Luiza de Gusmão, mulher de D. João IV, D. Maria Francisca Isabel de Saboya e D. Maria Sophia de Neubourg a visitavam muito. O irmão, D. Pedro II, encarregou-a da educação da filha, D. Luiza, que depois foi duqueza de Cadaval.
A procissão dos Passos de Carnide faz-se na 5.ᵃ dominga de quaresma (este anno, 1898, foi em 27 de março).
A conhecida feira da Luz, com arraial e festa, é nos dias 7 e 8 de setembro.