No tomo I, pag. 98, escreve da imagem de Nossa Senhora da Luz em Carnide: e conta de como antes de 1463 foi captivo em Africa Pedro Martins, natural de Carnide; este homem teve sonhos milagrosos, fez promessas, e conseguindo livrar-se do captiveiro mourisco voltou á sua patria, onde já existia a fonte do Machado, e edificou a ermida. A fundação foi solemne, porque a ella assistiu D. Affonso V. É provavel que este Pedro Martins fosse algum antigo companheiro d’armas d’el-rei D. Affonso V, que a historia denominou o Africano, por causa das suas arrojadas emprezas e valentes brigas no Algarve d’além-mar. Pedro Martins collocou na ermida, em agradecimento, os grilhões do captiveiro.

A infanta D. Maria, filha de D. Manuel, fez a nova egreja em 1575.

A pag. 411 do mesmo tomo o padre Cardoso refere-se á imagem de Nossa Senhora da Conceição, do côro do convento da Conceição no sitio de Carnide (depois em Arroyos), sem dar noticia importante.

Fr. José de Jesus Maria, na Chronica de Carmelitas descalços da Provincia de Portugal, tomo III, pag. 147, acha o logar de Carnide situado em campo alegre e de ares puros, e cercado de muitas e curiosas quintas que servem igualmente para o lucro e ao recreio.

Compõe-se o logar de 264 visinhos (elle escreve em 1753).

Falla do convento da Conceição que na sua quinta fundou Nuno Barreto Fuzeiro.

Do convento de Santa Thereza, nobilissimo seminario de infantas e senhoras... onde tantas vezes chegou a pobreza, a ponto de ás vezes não terem de comer.

Mas as freiras tinham grande repugnancia em pedir; esperavam até á ultima; nada havendo, nem a esperança, tocavam uma sineta, a sineta da fome, pedindo soccorro. O mesmo succedia com as freiras do Calvario em Evora; tinham tambem o toque da fome. Quando nada havia, nem se esperava, iam para o côro, entoavam as suas rezas ao som do triste signal. Por vezes, no convento de Carnide, houve coincidencias que pareceram milagres. Uma vez ia a pobre soror, meio desfallecida, começar o signal da fome, quando bateram estrondosamente á portaria. Era um presente de atum assado que mandava a duqueza de Aveiro.

Outra vez appareceram uns navegantes, salvos de grande tormenta no mar, com uma esmola de 20$000 réis.

Em 1646 se dispôz a madre priora Michaela Margarida de Sant’Anna a lançar a primeira pedra do convento novo. Foi o duque de Aveiro quem lançou a pedra e d’isto se lavrou a inscripção==O duque de Aveiro, D. Raymundo de Lancastre botou a primeira pedra deste convento a 2 de junho de 1646.==