Dois ou tres homens vendiam bordões, chibatas, varas e varapaus armados.
Na feira de S. João, em Evora, apparecem tambem saloios, uns vendendo varapaus, e outros a que chamam saloios da Nazareth com taboleiros de pederneiras para isca. Agora com as guerras á isca feitas pelos phosphoros, não sei se vão desapparecer de todo estes representantes ultimos da edade do silex lascado.
Passeavam lavradores invocando ou agradecendo a protecção da Santa, em volta da egreja, com juntas de bois, algumas muito enfeitadas de fitas de côres vivas, com entrançados e bordados.
Dentro da egreja, á direita da entrada, dois homens recebiam esmolas, em trigo na sua arca especial, ou em dinheiro, e vendiam registos, milagres de cêra, bois e peitos, e muito pavio de cêra amarella ás braçadas. O pavio amarello é bom para livrar o gado de doenças, olhados e desastres; enrola-se dando volta aos dois chifres do boi, e ahi se deixa ficar até se estragar.
Sobre o altar de Santa Brigida foram collocar alguns boisinhos de cêra.
Depois da festa houve communhão na capella da Santa, tocando o orgão, e em seguida o padre deu a reliquia a beijar; e foi muito beijada, por mais de cem pessoas, com muita devoção.
Esta Santa Brigida, protectora do gado bovino, da-me que pensar. Brigitta, Brigida, Brigides, Birgida, Birgita, Britta, etc., virgem, natural da Escocia, abbadessa de Kildare na Irlanda, morreu em 523, no 1.ᵒ de fevereiro, segundo affirmam.
As lendas d’esta Santa ligam-se com a famosa de S. Brandão (Brendanus, Bredan) abbade de Chainfort, na Irlanda, que morreu em 578 (16 de maio ou 5 de junho).
A reliquia, a cabeça da Santa, segundo diz a inscripção no exterior da capella, foi trazida por tres cavalleiros hibernios, ou irlandezes.
O que eu vi na urna pareceu-me effectivamente um fragmento de craneo, o occipital, talvez; não se vê bem por causa dos ornatos.